O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, anunciou ontem que o Brasil concluiu "o melhor acordo de renegociação da dívida externa já feito por um país do Terceiro Mundo". O ministro não quis dar detalhes do acordo, disse que eles serão conhecidos em breve através de um comunicado conjunto simultâneo entre o comitê assessor dos bancos credores, em Nova Iorque (EUA), e o governo brasileiro. O ministro, no entanto, revelou alguns dos pontos acertados: a dívida será reescalonada pelo prazo de 20 anos, quando o melhor prazo já conseguido era de 19 anos e meio; o prazo de carência será de oito anos, superior ao máximo de sete anos já concedido pelos banqueiros; o "spread" (taxa de risco sobre a taxa básica de juros) será de 0,8125%, obtido antes pelo México, Argentina, Chile e Equador; o acordo prevê o refinanciamento de US$5,2 bilhões em juros. Esse dinheiro, que o ministro chama de "dinheiro novo", não servirá a novos investimentos no país, mas apenas para pagar juros já vencidos. O dinheiro novo terá prazos específicos de pagamento: 12 anos, com cinco anos de carência. O ministro da Fazenda disse que tão logo saia o comunicado, o governo brasileiro pagará entre US$300 milhões e US$400 milhões a título de juros relativos a março aos bancos credores (JB) (FSP).