MULTINACIONAIS ACERTAM "LOBBY" NA CONSTITUINTE

As empresas multinacionais instaladas no Brasil vão iniciar esta semana um gigantesco "lobby" institucional em Brasília para tentar reverter no Congresso Constituinte os itens considerados contrários aos interesses do capital estrangeiro no país. Os principais detalhes da campanha foram acertados ontem, na sede da Shell do Brasil, no Rio de Janeiro, com a participação de representantes de quase 20 empresas, sob a coordenação do vice-presidente da Shell, Omar Carneiro. A campanha envolverá contatos pessoais com parlamentares e publicações de esclarecimentos à opinião pública, numa estratégia que absorverá cerca de US$1,5 milhão. As principais preocupações das empresas estrangeiras residem, basicamente, nos Artigos 200 e 205 da futura Constituição aprovados pela Comissão de Sistematização e que serão decididos em votação plenária. O parágrafo 1o. do Artigo 200, por exemplo, inibe a associação dos capitais nacional e estrangeiro (ainda que minoritária), enquanto um outro item desse mesmo artigo exige que na aquisição de bens e serviços o poder público dê preferência ao capital nacional. Os outros focos de apreensão se limitam ao parágrafo 3o. do artigo 205, que nacionalizou as jazidas minerais e ainda alguns dispositivos que, na avaliação das empresas estrangeiras, dificultam a realização de contratos de risco. O vice-presidente da Xerox do Brasil, Gunnar Vikberg, um dos participantes do encontro, disse que as medidas aprovadas pelo Congresso Constituinte até o momento "estão tendo repercussões negativas fora do Brasil" (JB) (O Globo).