O presidente José Sarney demitiu ontem da chefia do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA) o brigadeiro Paulo Roberto Camarinha, que em entrevista à EBN (Empresa Brasileira de Notícias) criticou o governo por não conter a inflação e fez acusações também ao Legislativo e ao Judiciário. "Não posso admitir que a minha autoridade seja questionada", disse José Sarney. O almirante Valbert Lisieux Medeiros Figueiredo, de 58 anos, assumirá o EMFA. O jornalista Getúlio Bitencourt, presidente da EBN, teve seu pedido de demissão do cargo aceito pelo presidente José Sarney. O brigadeiro não quis falar com a imprensa sobre sua demissão. O ex-chefe do EMFA disse ao ministro da Aeronáutica, brigadeiro Octávio Moreira Lima, que "tudo que eu disse não foi surpresa para ninguém". "Eu só repeti o que havia falado anteriormente". "O presidente me pediu para comunicar-lhe a demissão porque preferiu evitar constrangimentos", disse o ministro da Aeronáutica. O ex-chefe do EMFA lhe respondeu: "Quem tem que ficar constrangido é ele, não eu". "Não fui eu que meti o povo nesse mar de lama". Ao deixar o seu gabinete no EMFA, o brigadeiro Paulo Roberto Camarinha foi saudado por cerca de 100 servidores do EMFA que gritavam "um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos Camarinha presidente do Brasil". O almirante Valbert Figueiredo, catarinense, é tido como do tipo liberal e com largo ciclo de amizades no meio militar e político-- entre elas a do ex-governador do Rio de Janeiro, Leonel Brizola. Serviu no Gabinete Militar no tempo do presidente Costa e Silva, depois foi assessor parlamentar do ministro Augusto Rademarker, no governo Médici. Foi nesta função que circulou entre políticos e selou amizade com o atual ministro das Minas e Energia, Aureliano Chaves, e o então jornalista Fernando César Mesquita, atual governador de Fernando de Noronha. Ocupou a Diretoria Geral do Pessoal da Marinha, sucedendo ao hoje ministro Henrique Saboya. Atualmente exerce a chefia do Comando de Operações Navais, segundo posto em importância na Marinha. A sua escolha para a chefia do EMFA foi decidida pelo ministro da Marinha, Henrique Saboya, porque o EMFA é um Ministério ocupado em rodízio pelas três forças e a Marinha sucede a Aeronáutica (JB) (O Globo).