SIDERÚRGICAS NÃO QUEREM JORNADA DE SEIS HORAS

O presidente da SIDERBRÁS, Manoel Moacélio de Aguiar Mendes, presidentes de companhias siderúrgicas e diretores do IBS (Instituto Brasileiro de Siderúrgia), almoçaram ontem, no Rio de Janeiro, com o presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho. Durante o encontro, eles divulgaram um documento que destaca os inconvenientes da adoção da jornada de trabalho de seis horas para turnos ininterruptos, assunto que irá para votação no segundo turno do Congresso Constituinte. O documento diz que o Brasil ocupa o sexto lugar no "ranking" da indústria siderúrgica mundial, tendo faturamento de US$7,3 bilhões (Cz$1,3 trilhão) em 1987, com uma produção de aço bruto de 222 milhões de toneladas. Com a jornada de seis horas por turno, diz o documento, o Brasil perderá competividade, pois em outros países, como EUA e Japão, o turno nas siderúrgicas é de oito horas. O volume de produção também será afetado, afirma o estudo, pois as empresas terão quatro trocas diárias de turnos, em lugar das três que hoje são realizadas. "A sobrevivência do setor somente será possível com o repasse dos custos adicionais para o preço dos produtos, com reflexos negativos na conjuntura econômica, não só da siderurgia, mas em todos os outros segmentos que tiverem que se adaptar às jornadas semanais de apenas 33,36 horas", diz o documento (O Globo).