MINISTRO DO EMFA CRITICA CONGELAMENTO DA URP

O ministro-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (EMFA), brigadeiro Paulo Roberto Camarinha, aproveitou a entrevista que deu à EBN (Empresa Brasileira de Notícias), agência de notícias do governo, para atacar o ministro do Planejamento, João Batista de Abreu, criticar o congelamento da URP (Unidade de Referência de Preços) e condenar o Legislativo e o Judiciário, onde, na sua opinião, estão os "verdadeiros marajás". Inconformado com o próprio salário, o ministro-chefe do EMFA disse que o ministro João Batista de Abreu precisa tomar alguma medida "senão não precisa ter ministro, fica em casa e despacha papel". Segundo o brigadeiro, o congelamento da URP foi injusto porque deteriorou os salários. Contra os outros poderes da República, ele citou como exemplo o fato de um barbeiro da Câmara dos Deputados ganhar Cz$160 mil, mais que seu filho que é primeiro-tenente da Aeronáutica. O ministro-chefe do EMFA mandou ainda um recado aos parlamentares do Congresso Constituinte sobre a anistia para os pequenos e microempresários que se endividaram durante o Plano Cruzado. Para o ministro, a conta "vai recair no bolso da sociedade de uma maneira geral, ou então vai recair sobre os cofres da União, porque os bancos particulares não vão assumir a responsabilidade desses pagamentos". Na sua opinião, Isso não pode recair sobre o nosso bolso". O chefe do EMFA disse ainda que não pode entender "que um funcionário público possa perceber menos que um salário-mínimo; onde é que já se viu um funcionário público ganhar seis mil cruzados por mês, quando o salário-mínimo é de 10 mil?". O brigadeiro Paulo Roberto Camarinha explicou também que os militares já começam a preocupar-se com a proximidade de sua data-base de negociação, janeiro. E acha que, em janeiro do próximo ano, o índice de reajuste salarial para os militares poderá ficar além das possibilidades orçamentárias do governo, com a aplicação da variação do IPC (Índice de Preços ao Consumidor), mas as URP suspensas em abril e maio. "Então", calculou o ministro, "o que será dado para compensar o que virá durante o ano de 1989? Terá o Tesouro caixa para conceder esse aumento?". O ministro contou que entregou ao presidente José Sarney uma minuta de decreto propondo que a recomposição das perdas decorrentes do "congelamento" salarial fosse "diluída", mês a mês, de junho até dezembro (JB) (GM).