O Ministério da Fazenda estuda implantar ainda este ano a obrigatoriedade para todos os bancos de remuneração aos depósitos à vista. Apoiada pelos principais assessores do ministro Maílson da Nóbrega, a proposta visa dar um estímulo para que o correntista deixe sua conta no banco, sem ingressar em outras modalidades de poupança. Com isso, automaticamente aumenta a arrecadação do depósito compulsório no Banco Central, facilitando a execução de políticas monetárias-- o governo teria mais condições de regular a liquidez no mercado. A medida faz parte de proposta do BC para reformulação do sistema financeiro do Brasil, para o qual serão destinados US$500 milhões. O diretor de Fiscalização do BC, José Tupy Caldas de Moura, disse, no Rio de Janeiro, que a obrigatoriedade de remuneração dos depósitos à vista tem a finalidade de eliminar o imposto inflacionário, que consiste na perda do valor do dinheiro que permanece depositado em conta corrente, em benefício do banco e em prejuízo do correntista. Segundo ele, se a medida for adotada, o BC exigirá índices mais elevados de remuneração dos depósitos do que os índices parciais que estão sendo oferecidos pelos bancos que já criaram voluntariamente as contas correntes remuneradas. O presidente da FEBRABAN (Federação Brasileira das Associações de Bancos), Antônio de Pádua Rocha Diniz, disse que a remuneração dos depósitos à vista é apenas um dos pontos sugeridos por técnicos do BIRD (Banco Mundial) para a reforma bancária. Ele disse que a idéia somente adquire coerência se associada a outras propostas que "são do gosto" do BIRD, como a liberalização das tarifas dos serviços bancários e o livre direcionamento do crédito pelos bancos. O diretor da Dívida Pública do Banco Central, Juarez Soares, informou que o governo apresentará até o próximo dia 31 de julho ao BIRD as linhas gerais do seu projeto de reordenamento do sistema financeiro nacional (FSP).