As lideranças políticas e empresariais de Minas Gerais não foram consultadas para a elaboração da nova política industrial, enquanto as lideranças empresariais paulistas tiveram acesso aos documentos antes de sua divulgação. O protesto foi feito ontem, em Belo Horizonte, pelo secretário de Indústria e Comércio de Minas Gerais, Luiz Carlos Goulart, ao divulgar um documento com as sugestões mineiras para a regulamentação da política industrial. O documento destaca que a concessão de benefícios e incentivos fiscais deve levar em conta as disparidades regionais. O secretário disse que não se pode dar ao Vale do Jequitinhonha (MG), cujo Produto Interno Bruto per capita é 15% menor do que o de São Paulo, o mesmo tratamento dispensado a regiões desenvolvidas. O vice-presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais), Silviano Cançado, destacou que o documento reivindica uma nova política tarifária para energia elétrica e transportes ferroviários. Segundo ele, as tarifas desses serviços são subsidiados, beneficiando estados como Rio de Janeiro e São Paulo. O documento mineiro apóia ainda a abertura do mercado brasileiro, mas o vice-presidente da FIEMG afirmou que ela deverá ser feita de forma gradual, para não prejudicar a indústria nacional (FSP).