EMPRESAS DE HEMODERIVADOS UNEM-SE CONTRA ESTATIZAÇÃO

A estatização dos bancos de sangue e seus derivados, aprovada pelo Congresso Constituinte, continua despertando reações contrárias entre médicos e fabricantes de hemoderivados. O "lobby" das empresas do setor aumenta para tentar derrubar no segundo turno de votação o parágrafo 4 do artigo 323, que trensfere ao Estado a responsabilidade de industrialização de derivados de sangue e abastecimento gratuito das instituições médicas. As empresas afirmam que o governo não terá infra-estrutura nem tecnologia adequadas para produzir a curto prazo os hemoderivados, o que ocasionará a falta dos produtos e colocará em risco a vida de inúmeras pessoas. O hematologista Celso Guerra, do Centro de Hematologia de São Paulo, acredita que deve ter havido má interpretação por parte dos constituintes, os quais teriam confundido componentes do sangue (plaquetas e glóbulos vermelhos, usado para tratamento de hemorragias e anemias, respectivamente) com hemoderivados (albumina, fator 8, gamaglobulina, entre outros, produzidos pela indústria). Ele afirma que deveria ser proibida somente a comercialização do sangue e não de seus derivados (FSP).