FUNCIONÁRIO DO MINISTÉRIO DA SAÚDE NEGA ACUSAÇÃO

Paulo Lott, chefe de gabinete do ministro da Saúde, Borges da Silveira, desmentiu ontem a notícia publicada na edição de ontem do Jornal do Brasil, de que teria dito que o cartunista "Henfil" (Henrique de Souza Filho) morreu de AIDS (Síndrome de Imunodeficiência Adquirida) por ser homossexual. "As afirmações são falsas", disse ele. De acordo com a notícia, Paulo Lott teria concluído que "Henfil" era homossexual pela leitura do livro "Diário de um Cucaracha", escrito pelo cartunista. Paulo Lott disse que "não deu qualquer entrevista, não falou com jornalistas sobre o assunto e não leu o livro". O porta-voz do Ministério da Saúde, Núnzio Briguglio, disse, a propósito da notícia, que "se Henfil contraiu AIDS após 1985, quando já havia teste para a detecção de anticorpos do vírus no organismo, a responsabilidade deve ser da União". No Rio de Janeiro, o presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar da AIDS) e secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais Econômicas), Herbert de Souza, irmão de Henfil, disse que vai pedir ao presidente José Sarney a demissão de Paulo Lott, caso se confirme que ele realmente declarou que "Henfil" morreu de AIDS por ser homossexual. Segundo Herbert de Souza, é inadimissível que um alto funcionário do governo faça acusação tão leviana. "Meu protesto é maior como cidadão porque não admito que o dinheiro dos impostos seja usado para pagar a funcionários de nível moral tão baixo", disse ele. Herbert de Souza acrescentou que o argumento da homossexualidae só serve para acobertar o crime da falta de controle da qualidade do sangue no Brasil (FSP) (O Globo).