PADRES RURALISTAS PREOCUPAM A CNBB

Depois se organizar em todo o país e constituir, inclusive, os seus departamentos para jovens e mulheres, a União Democrática Ruralista (UDR) avança, também, na formação de uma assessoria religiosa, constituindo seus capelães e recebendo o apoio discreto de padres e de alguns bispos em várias regiões brasileiras. O fenômeno dos "padres ruralistas" é uma das preocupações dos dirigentes da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e da Comissão Pastoral da Terra (CPT), o organismo eclesial voltado para os problemas agrários brasileiros. No final do ano passado, o bispo de Barretos (SP), dom Antônio Maria Mucciolo, foi o intermediário, a pedido da UDR, de um encontro entre os dirigentes ruralistas e o presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida, na sede da região episcopal Belém, zona leste paulistana. O objetivo declarado pelos uderristas era o de obter uma trégua "na guerra" entre a igreja e os produtores rurais, contrários a qualquer projeto de reforma agrária que implique em redistribuir terras que consideram produtivas. Realizada em total segredo, a reunião não produziu os resultados desejados pela UDR, representada pelo pecuarista Roosevelt Roque, sucessor de Ronaldo Caiado como presidente da entidade. Dom luciano disse que não estava falando com eles como presidente da CNBB e sim a título pessoal. Afirmou também que a Igreja defende "a hipoteca social que pesa sobre toda propriedade privada" (FSP).