No último dia da visita do presidente José Sarney a Nova Iorque (EUA), a denúncia de excessos cometidos por membros da comitiva oficial deixou o presidente irritado com a imprensa. Uma repórter fez-lhe a seguinte pergunta: "Ontem, vimos vários computadores chegarem para ser entregues em quartos de integrantes da sua comitiva". "Esses computadores viajarão no avião presidencial e a entrada deles no Brasil é ilegal". "Que tem a dizer sobre isso?". O presidente respondeu: "O que eu tenho a dizer é que vou passar para a próxima pergunta". Após a entrevista, o porta-voz da Presidência da República, Carlos Henrique dos Santos, distribuiu nota oficial afirmando que "nenhum dos membros da delegação adquiriu computadores durante sua permanência em Nova Iorque". Para embaraço do porta-voz, a nota não refletia os fatos. Convidado a caminhar até a porta dos fundos do hotel onde a bagagem da comitiva estava sendo carregada num caminhão, entre as malas, havia várias caixas novas contendo computadores pessoais de várias marcas. Quando um repórter perguntou ao ministro-chefe do Gabinete Militar, general Bayma Denys, para saber ser ele permitiria que os computadores embarcassem no avião da Força Aérea Brasileira que levaria a comitiva de volta ao Brasil, a resposta foi: "Vocês não têm nenhum assunto melhor sobre o que escrever?". Mais tarde ficou-se sabendo que grande parte das máquinas-- das marcas IBM, Toshiba e Wang-- foi comprada da empresa City Services, de propriedade de um ex-funcionário do consulado brasileiro em Nova Iorque, que os entregou na sala 1.426 do Hotel Intercontinental, onde funcionava a coordenação da comitiva (JB).