O Brasil continuará com o seu programa de desenvolvimento da energia nuclear para fins pacíficos, assegurou ontem, em Nova Iorque (EUA), o presidente José Sarney ao discursar na reunião sobre desarmamento das Nações Unidas. Ele condenou a política das grandes potências que, em nome da segurança militar, realizam testes com armas nucleares. José Sarney, que falou para uma reduzida platéia, elogiou a diminuição das tensões internacionais resultantes dos dois últimos encontros entre o presidente Ronald Reagan e o líder soviético Mikhail Gorbatchev. O presidente disse que "a tarefa de salvação é de todos, sem exclusão de ninguém". Ele lembrou que a destruição possibilitada pelas armas nucleares modernas não escolheria entre ricos e pobres, grandes e pequenos. "Por maiores que sejam os arsenais das grandes potências, o desarmamento não pode ser apenas uma discussão a dois", disse o presidente referindo-se às negociações entre Washington e Moscou. "É trágica para nós a constatação da massa gigantesca de recursos postos à disposição da tecnologia das armas e o quanto são cada vez menores os recursos destinados ao combate da pobreza", comentou o presidente. O presidente José Sarney falou também dos acordos entre o Brasil e a Argentina no campo nuclear: "Brasil e Argentina estabeleceram acordos de cooperação nuclear que afastam qualquer especulação sobre uma possível corrida nuclear no continente" (JB) (FSP).