A participação da iniciativa privada como alternativa de solução para a crise do setor elétrico foi o tema da reunião de ontem promovida pela FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo). O presidente da entidade, Mário Amato, abriu o seminário expressando a apreensão das indústrias sobre a disponibilidade de energia elétrica em níveis compatíveis com as necessidades de desenvolvimento industrial. "Temos sérias razões para isso", disse ele. No período de 1970 a 1985, o crescimento médio do consumo de energia elétrica foi de 10,6% ao ano, enquanto o PIB (Produto Interno Bruto) evoluiu 6,2% ao ano, informou Mário Amato. No setor industrial, a participação da eletricidade no consumo energético aumentou de 47% para 56% no mesmo período. Entretanto, nenhuma obra de geração está com seu cronograma em dia, destacou ele, e o setor precisa investir US$6 bilhões por ano para acompanhar o crescimento da demanda. Para o secretário de Obras do Estado de São Paulo, João Oswaldo Leiva, presidente do conselho administrativo das empresas energéticas paulistas, este é o momento adequado para a iniciativa privada dar sua contribuição ao setor elétrico, porque "somente o Estado de São Paulo terá de dobrar sua capacidade instalada-- atualmente de 11 mil megawatts-- nos próximos 15 anos para atender ao crescimento de consumo projetado" (GM).