SEPARAÇÃO DA ARQUIDIOCESE DE SÃO PAULO

Em janeiro de 1975, foi enviado de São Paulo, com destino à Santa Sé, em Roma, um longo documento redigido em latim por dom Benedito Ulhôa Vieira, atual bispo de Uberaba (MG). O texto continha um plano para a divisão em nove partes da Arquidiocese de São Paulo, com seus 60 municípios e quase 15 milhões de pessoas. O plano atendia a um pedido formulado pelo papa Paulo VI, três anos antes, ao cardeal dom Paulo Evaristo Arns, para que imaginasse, com ajuda de seus bispos auxiliares, uma nova forma de funcionamento para as grandes dioceses urbanas. Há três semanas, quando viajou a Roma para acertar a permanência de 14 padres brasileiros que vão concluir seus estudos teológicos em seminários europeus, dom Paulo Evaristo Arns levava na mala, novamente, o mesmo texto. Desta vez, porém, o destinatário do documento era o papa João Paulo II e os papéis haviam adquirido uma função mais urgente: conseguir o apoio do papa para suspender a divisão em cinco fatias que a Congregação dos Bispos planejava efetuar na Arquidiocese de São Paulo. Dom Paulo Evaristo Arns conseguiu sair-se vitorioso: o papa João Paulo II atendeu seus argumentos e adiou a divisão da Arquidiocese de São Paulo (JB).