O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, ouviu ontem de 21 empresários que encontrou em duas reuniões em São Paulo queixas e temores em relação à política industrial e à defasagem cambial. Os empresários têm medo que a regulamentação da política industrial abra demais a economia à concorrência internacional, causando prejuízos e quebras nas indústrias nacionais. Por isso, pediram que se mantenha ainda alguma proteção à indústria. O ministro deu uma resposta afirmativa para esta questão. Quanto à defasagem cambial que, segundo os empresários, estaria causando prejuízo às exportações, Maílson respondeu que o problema é extremamente complicado, mas que o governo "não pretende promover qualquer alteração na política cambial". Para ele, não se justificam mudanças nessa área, "já que o Brasil está prestes a obter, este ano, um mega-superávit na balança comercial, superior a US$15 bilhões". Durante os encontros, o ministro da Fazenda recebeu um documento feito pela ABIMAQ/SINDIMAQ (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos/Sindicato Interestadual da Indústria de Máquinas) que pede à Comissão de Política Aduaneira proteção tarifária de 75% para máquinas convencionais e de 80%, em média, para máquinas de comando numérico. Segundo o documento, as máquinas convencionais brasileiras estariam 75% mais caras que no mercado internacional (FSP) (O Globo).