O promotor público do Estado de Pernambuco, Célio Avelino de Andrade, acusou ontem, em Recife, o procurador de Justiça, José Bartolomeu Lemos Gibson, e mais quatro agentes policiais (Rivel Gomes da Rocha, Jardo Rodrigues, Benedito Rodrigues e um outro conhecido apenas como "X-9") de terem assassinado há 19 anos o padre Henrique Pereira Neto, assessor direto de dom Hélder Câmara na Arquidiocese de Recife e Olinda. Nos vários inquéritos instaurados desde o crime não se havia chegado aos culpados. Gibson, então delegado e apontado como mandante, e os outros executores eram ligados ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC). O promotor Célio Avelino de Andrade encaminhou seu relatório ontem mesmo ao juiz Néri dos Santos, da 1a. Vara do Júri, alegando incompetência para fazer a denúncia e propor a ação, por existir entre os envolvidos um promotor de Justiça. O caso passou, assim, para as mãos do procurador-geral Telga Araújo, que tem 15 dias para denunciar o promotor Gibson e os demais implicados (JB).