O Projeto Jaíba, de irrigação, que já consumiu US$190 milhões, poderá receber do BIRD (Banco Mundial) outros US$130 milhões destinados a concluir, em quatro anos, 16 mil hectares da fase final. O projeto, iniciado em 1972 pelos governos federal e de Minas Gerais, previa a incorporação de 100 mil hectares de novas áreas irrigadas. "O Jaíba representa um empreendimento público de grande porte que até o presente momento nada significou em termos de geração de produção, emprego e renda", disse ontem o economista Emílio Borsari Assirati, do IPEA (Instituto de Planejamento Econômico e Social), autor do trabalho "Projeto Jaíba e a Irrigação Pública no Brasil". Segundo ele, o projeto Jaíba apoiou-se em supostos econômicos poucos prováveis, típicos de uma
15273 época marcada por apelos de grandes realizações governamentais. Os recursos públicos alocados no programa justificam o raciocínio do economista do IPEA: os investimentos de obras civis somam mais de US$112,8 milhões. Foram construídos canais com mais de 1,2 quilômetros, com capacidade de vazão de 80 metros cúbicos de água por segundo. Há instalados equipamentos hidroeletrônicos, motores e bombas fabricadas especialmente para o projeto no Japão. Além de 60 quilômetros de canais secundários de irrigação e obras de drenagem. Estas obras foram iniciadas em 1985, através de um convênio entre a CODEVASF (Companhia de Desenvolvimento do Vale do São Francisco) e a RURALMINAS, destinado a colocar em operação um projeto de irrigação de 100 mil hectares, dos quais 73 mil hectares haviam ficado com empresas privadas. Passados 11 anos, com grande parte das obras concluídas, e pesado volume de investimento, o projeto não conseguiu apresentar resultados. Os custos até aqui do projeto Jaíba são de US$3,9 mil por hectare, faltando ainda investimentos básicos nos lotes para garantir a produção da área (GM).