NOVA POLÍTICA INDUSTRIAL DIVERGE DE DECISÕES DA CONSTITUINTE

A nova política industrial que será anunciada amanhã pelo governo diverge em vários pontos de decisões tomadas pelo Congresso Constituinte, como ao exigir que as compras governamentais sejam feitas prioritariamente no mercado nacional-- os constituintes estabeleceram que os produtos devem ser de empresas de capital nacional. A nova política estimulará as indústrias bélicas, naval e aeronáutica. Os industriais brasileiros apóiam os pontos básicos-- desburocratização e incentivo à pesquisa tecnológica-- da política industrial que será divulgada pelo governo, mas estão preocupados com a possibilidade de uma abertura generalizada para importações, o que poderia provocar o sucateamento do parque industrial do Brasil. Essa opinião foi sintetizada ontem, no Rio de Janeiro, pelo empresário Paulo Guilherme Aguiar Cunha, presidente do Grupo Ultra e coordenador do grupo de trabalho que traçou as linhas estratégicas da proposta de política elaborada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Ele explicou que "a modernização do parque industrial brasileiro tem que ser feita com base no que já existe" e defendeu uma gradual liberação das tarifas aduaneiras para evitar que ela "traga mais males do que bem" (JB) (FSP).