MINISTRO DISSE QUE GOVERNO TERÁ QUE DEMITIR 100 MIL

O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, afirmou que o governo terá que demitir entre 80 mil e 100 mil funcionários de empresas estatais e até da administração direta se a Justiça mantiver o pagamento da URP (Unidade de Referência de Preços). O ministro disse que o Ministério da Fazenda irá recorrer das decisões da Justiça do Trabalho. Um novo lote de concessões de liminares obrigando o governo a pagar a URP foi aprovado ontem pela Justiça do Trabalho e pela Justiça Federal, beneficiando os empregados da EMBRAER, de FURNAS, Itaipu Binacional, petroleiros do Pará, médicos e urbanitários. A Justiça também recusou o recurso da DOCEGEO, subsidiária da CVRD (Companhia Vale do Rio Doce), e deu sete dias para a empresa pagar a URP de seus funcionários. São as seguintes as empresas e servidores que já ganharam a URP através de decisão dos tribunais do Trabalho: Rio de Janeiro-- DOCEGEO, CVRD, médicos federais, FURNAS, Itaipu Binacional, CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e EMBRATEL. São Paulo-- petroleiros, CEF (Caixa Econômica Federal) e EMBRAER. Pernambuco-- funcionários do Tribunal Regional do Trabalho. Rio Grande do Sul-- Banco do Brasil, Banco Meridional e petroleiros. Pará-- petroleiros. O número total de trabalhadores que já obtiveram a URP atinge agora 48.132. O presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Marcelo Pimentel, declarou ontem que a Justiça "não está subordinada à política salarial do governo e pode até considerar inconstitucionais os decretos do Executivo" (JB) (FSP).