O ex-secretário do Tesouro, Andrea Calabi, disse ontem à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Corrupção que desconhecia o decreto lei que o governo mandou ao Congresso Nacional, em novembro do ano passado, para aplicar Cz$105 bilhões, alegando excesso de arrecadação, no reajuste do funcionalismo civil e militar. Andrea Calabi contou que o empresário Aldo Lorenzetti, presidente da ABINEE (Associação Brasileira da Indústria Eletro-Eletrônica), foi o autor da terceira proposta de decreto sobre reajuste de preços de obras e serviços prestados ao governo, que aumentaria as despesas em Cz$3 bilhões, ao fazer retroagir a fevereiro de 1986 a correção dos preços nas faturas emitidas contra o governo. Este decreto era conhecido como "Projeto Alfa", e contava também com apoio do MIC (Ministério da Indústria e Comércio). O ex-secretário disse que só tomou conhecimento dos Decretos 94.042 e 94.233 (que reajustou retroativamente os contratos de fornecedores do governo) pelo "Diário Oficial" da União (JB) (FSP).