ESTATAIS INICIAM DEMISSÕES

No segundo e último dia da greve dos funcionários públicos e de empresas estatais contra o congelamento da URP (Unidade de Referência de Preços), foram anunciadas as primeiras demissões. A CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) demitiu 15 funcionários em Carajás (PA), 19 em Vitória (ES) e um em Timbopeba (MG). A PETROBRÁS também preparou uma lista de 44 demissões, 14 suspensões e 51 advertências, obedecendo uma recomendação do presidente José Sarney. A CODESP (Companhia Docas de São Paulo) demitiu 15 funcionários do Porto de Santos que aderiram à greve. Os 3,5 mil portuários do Rio de Janeiro retornaram ao trabalho no fim da tarde de ontem. Em Vitória (ES), Bahia, Manaus (AM) e no Paraná, os portuários não pararam. Em Natal (RN), 30% dos 473 portuários aderiram à greve somente no primeiro dia. Os funcionários da EMBRAER em São José dos Campos (SP) também encerraram a greve de dois dias. Os prejuízos causados com a paralisação somaram cerca de US$4 milhões. O comando nacional de greve informou, em Brasília, que cerca de 1,05 milhão de trabalhadores aderiram ao movimento. Este número representa dois terços dos 1,576 milhão. No Rio de Janeiro, 1.250 policiais militares estiveram nas ruas. Cento e quarenta destes impediram que professores do estado e do município fizessem uma manifestação de protesto em frente as sedes da prefeitura e do governo do estado. Os PMs formaram um cordão de isolamento e dispersaram os professores que se solidarizaram com os servidores federais. Em Ibiuna (SP), 100 soldados do Exército invadiram a subestação do sistema FURNAS para garantir o fornecimento de energia elétrica. Lá, apenas seis dos 200 funcionários trabalharam. A greve dos funcionários federais e de estatais foi encerrada com uma passeata pelo centro do Rio de Janeiro que reuniu cerca de 10 mil pessoas. Não foi registrado incidentes (JB) (FSP) (GM).