O presidente do Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Atividades Subaquáticas e Afins, Mário Jorge Cerveira Reis, denunciou ontem a inexistência de condições de salvamento para os mergulhadores que trabalham na plataforma Zefir-2, no campo petrolífero de Piraúna, da PETROBRÁS, na Bacia de Campos (RJ), caso aconteça ali um acidente semelhante ao ocorrido em Enchova. Segundo ele, em Piraúna, os mergulhadores têm trabalhado a uma profundidade de 285 metros. O excesso de profissionais na câmara de mergulho-- seis em vez de quatro em cada uma, segundo o sindicalista-- pode causar a morte no fundo mar, de onde os corpos levam oito dias para voltar à superfície. Em caso de emergência, os mergulhadores que se encontram na câmara, respirando uma mistura de hélio e oxigênio, têm que ser transferidos imediatamente para um "sino", de formato cilíndrico, onde a mistura é fornecida por garrafas cujo conteúdo se esgota rapidamente. Segundo Mário Jorge Cerveira Reis, por isso, o ideal é que trabalhem no máximo quatro homens em cada câmara, pois "os restantes não poderão ser transferidos a tempo para o sino e fatalmente morrerão" (FSP).