Os textos aprovados na 26a. Assembléia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), encerrada anteontem no convento de Itaici, Município de Indaiatuba (SP, são marcados pelo desencanto da Igreja Católica diante dos rumos adotados pelo poder civil. Neste ponto, houve unanimidade entre os bispos de tendências "progressista", "moderada" e conservadora da CNBB, mesmo com ênfases diferentes. A não realização da reforma agrária e o agravamento nas condições de vida das populações urbanas foram os pontos mais criticados pelos bispos entre os sintomas da crise sócio-econômica do país. A situação dos indígenas-- considerada gravíssima"-- concentrou, também, a preocupação unânime do episcopado. O anteprojeto do documento central desta 26a. Assembléia da CNBB incluía, na parte política, uma referência direta ao governo federal criticando o uso de "slogans" baseados no social sem correspondência prática em termos de reformas. Os bispos decidiram, porém, retirar essa referência por considerarem, segundo o ex-presidente da CNBB e bispo de Santa Maria (RS), dom Ivo Lorscheider, que "a responsabilidade pela crise brasileira deve ser compartilhada pela sociedade como um todo". Esta assembléia reafirmou tanbém a posição do episcopado sobre a não vinculação da Igreja com partidos políticos específicos e sobre a atitude suprapartidária dessa instituição. O veto à atuação político-partidária do clero foi igualmente reafirmada, seguindo tanto as normas do Código de Direito Canônico quanto as recomendações de João Paulo II. Em termos ideológicos, a CNBB concentrou suas críticas à ideologia liberal-- responsabilizando os seus seguidores por quererem manter a Igreja apenas no campo espiritual-- e, também, ao uso considerado abusivo da análise marxista por parte de "alguns agentes pastorais". Refletindo as orientações do papa no campo social, a conferência episcopal brasileira volta-se, prioritariamente, para a defesa de reformas que considera "possíveis" nas estruturas sócio-econômicas do país, de forma pragmática, sem indicar qual deve ser ou não o modelo político mais adequado para a sociedade (FSP).