Segundo dados do Banco Central divulgados ontem, no ano em que o Brasil entrou em moratória com os bancos privados, deixando de pagar um total de US$3,4 bilhões, a dívida externa aumentou de US$111 bilhões para US$121,3 bilhões (crescimento de 9,2%). A dívida de curto prazo-- dívida não registrada-- fechou o ano em US$13,7 bilhões. De acordo com o BC, o balanço de pagamentos apresentou um déficit de US$1,812 bilhão no final do ano passado, inferior aos US$3,6 bilhões de 1986. Um dos componentes para esta redução do déficit foi o superávit de US$11,2 bilhões na balança comercial, que registrou crescimento de 33,7% sobre o resultado de 1986 (US$8,3 bilhões). Também teve efeito positivo sobre o balanço de pagamentos a redução de 3,6% na despesa líquida com serviços-- juros, spreads e outros-- que se situou em US$12 bilhões, sendo que de juros, US$8,8 bilhões. De pagamento efetivo de juros, porém, o Brasil desembolsou US$5,4 bilhões, já que deixou de pagar, com a moratória, US$3,4 bilhões. De acordo com o BC, no item movimento de capitais (investimentos e remessa de lucros) foi registrada uma saída líquida de US$528 milhões contra o ingresso de US$939 milhões em 1986. Os investimentos diretos registraram ingresso líquido de US$488 milhões, contra a saída líquida de US$108 milhões em 1986, devido, basicamente, à redução dos retornos de capital que passaram de US$637 milhões em 1986, para US$328 milhões em 1987. A conversão da dívida externa em investimento em 1987 foi de US$300 milhões, contra US$206 milhões em 1986. Os novos financiamentos estrangeiros, a médio e longo prazos, foram de US$2,3 bilhões em 1987 contra US$3 bilhões em 1986. Deste total, US$309 milhões provenientes de agências internacionais. Os organismos internacionais foram responsáveis por US$1,2 bilhão e os fornecedores privados por US$866 milhões. A redução dos financiamentos de 1987 foi provocada pela retração dos empréstimos do BIRD (Banco Mundial) em US$634 milhões. As amortizações totalizaram US$13,5 bilhões sendo US$3,1 bilhões efetivamente pagos e US$10,4 bilhões depositados no BC (JB).