DIA NACIONAL DE PROTESTO DOS SERVIDORES DAS ESTATAIS

Cerca de 5 mil trabalhadores, reunidos em assembléia intercategorias ontem, no Rio de Janeiro (capital), decidiram por unanimidade decretar estado de greve contra a possibilidade de extinção da URP (Unidade de Referência de Preços) e decretação de "pacote" econômico "arrochando" o salário. A assembléia fez parte do "Dia Nacional de Protesto", organizado pela CUT (Central Única dos Trabalhadores) e pela CGT (Central Geral dos Trabalhadores) em todo o país. A assembléia também decidiu pela realização de uma passeata pelo centro do Rio de Janeiro no próximo dia 7 contra o "arrocho salarial". Durante o dia, trabalhadores de empresas estatais realizaram protestos e algumas categorias realizaram paralisações temporárias. Os petroleiros fizeram "operação-tartaruga" mas não afetaram as refinarias de Duque de Caxias e Manguinhos nem reduziram a produção da Bacia de Campos. Os ferroviários paralisaram os setores de manutenção, sem prejuízos para o funcionamento do sistema. O mesmo ocorreu com os funcionários do Banco Central, que encerraram o expediente com duas horas de antecedência. Em São Paulo (capital), cerca de 300 trabalhadores participaram do "Dia Nacional de Protesto" no pátio do MASP (Museu de Arte Moderna de São Paulo). Na ocasião, o presidente da CUT regional, Jorge Coelho, disse que os trabalhadores não terão medo de organizar uma greve geral, uma greve
14016 política que responda com a mesma intensidade a essa discriminação. Em Sergipe, cerca de 1,5 mil dos 7 mil petroleiros e 700 dos 800 petroquímicos paralisaram durante todo o dia de ontem suas atividades em protesto contra a possível extinção da URP. Em Curitiba (PR), o Fórum dos Trabalhadores nas Estatais, coordenador do movimento de protesto, informou que cerca de 10 mil pessoas aderiram ao Dia Nacional de Protesto. As principais manifestações foram feitas pelos funcionários do Banco do Brasil e na Refinaria Presidente Vargas, que atrasaram em uma hora a troca de turnos. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica de Salvador (BA), coordenador do movimento, informou que a paralisação atingiu a região baiana de extração e produção de petróleo e que cerca de 10 mil funcionários da PETROBRÁS aderiram ao movimento. Os funcionários do Banco Central em Belo Horizonte (MG) e Recife (PE) também paralisaram ontem suas atividades por cerca de uma hora (FSP).