A Secretaria do Tesouro procurou Informalmente" a Consultoria Geral da República em 1987 para saber como foram escolhidas as dezoito empresas que compraram café para o Instituto Brasileiro do Café (IBC) na Bolsa de Londres em 86, na frustrada operação "London Terminal". Segundo o consultor-geral, Saulo Ramos, o pedido não chegou a ser formalizado e o assunto foi entregue à Comissão Interministerial formada especialmente para examinar a operação, mais conhecida como "Operação Patrícia", que deixou um prejuízo de US$115 milhões para a União. Saulo Ramos negou que o presidente José Sarney tenha pedido que ele acompanhasse o caso, conforme chegou a ser divulgado na época. O consultor-geral disse que só será chamado a opinar se houver divergência de apreciação entre as consultorias de cada ministério envolvido. Além de representantes do Banco do Brasil, Banco Central, Secretaria do Tesouro e do IBC, a Comissão tem um membro do Ministério da Indústria e Comércio. O prejuízo foi causado pela compra de 635.760 sacas de café robusta na Bolsa de Londres, com o objetivo de elevar a cotação do produto para vendê-lo depois com lucro. O preço da operação chega a US$200 milhões, incluídos os juros de financiamento externo e despesas de armazenagem. O café, ainda armazenado em vários portos da Europa, vale hoje cerca de US$85 milhões. A diferença, de US$115 milhões, é de responsabilidade do IBC. A operação foi autorizada por um "voto reservado" do ministro José Hugo Castelo Branco (MIC) no Conselho Monetário Nacional (CMN), aprovado ad referendum do Conselho pelo então ministro da Fazenda, Dílson Funaro (FSP).