FLAGELADOS DA SECA ESTÃO PASSANDO FOME

Os nordestinos que estão sofrendo com os efeitos da seca-- que hoje atinge mais de 95% da região-- passam fome não por que falte alimentos, mas porque não têm dinheiro para comprá-los, pois eles são encontrados, sem qualquer dificuldade, nos barracões, mercearias e pequenas vendas em todos os estados do nordeste. A conclusão é do chefe da missão PMA (Programa Mundial de Alimentos), órgão da FAO (Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação), Carl Tippenhauen, depois de passar 15 dias nos estados atingidos pela estiagem. Ontem, Carl Tippenhauen anunciou em Recife (PE) que o PMA aprovou dois projetos, no valor de US$50 milhões, que vão beneficiar o Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais, e os Estados do Ceará, Piauí, Sergipe, Rio Grande do Norte e Paraíba, com financiamento de alimentos durante cinco anos. O coordenador do Departamento de Ocupação Econômica de Novas Áreas da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), Geraldo Medeiros Aguiar, informou que, com uma população de 35 milhões de habitantes, o Nordeste, no ano passado, produziu 428.853 toneladas de feijão, 1 milhão 019 mil 386 toneladas de arroz, 11 milhões 568 mil 188 toneladas de mandioca, 620.722 toneladas de milho, 15 milhões 071 mil 077 toneladas de soja, 812 milhões 033 mil 807 toneladas de cana-de-açúcar e 8.847 toneladas de batata inglesa. Segundo ele, essa produção é suficiente para alimentar toda a região (JB).