GOVERNO QUER REESCALONAMENTO PLURIANUAL DA DÍVIDA

O presidente do Banco Central, Fernão Bracher, disse que dentro de um ano o governo deverá estar discutindo um reescalonamento plurianual da dívida externa com os credores. Se houver um acordo, os débitos de 1985, recentemente renegociados por sete anos com cinco de carência, serão absorvidos nos novos prazos. Esta mudança, segundo Bracher, está prevista numa das cláusulas definidas em fevereiro nas últimas conversações com os representantes dos credores em Nova Iorque. Disse ainda que as dívidas de curto prazo, cerca de US$15 bilhões, prorrogadas até março do próximo ano, deverão ter seu vencimento "empurrado" para junho a partir do momento em que se iniciem as novas negociações. De acordo com Fernão Bracher, a dívida global do Brasil chegou a US$99,6 bilhões no final de 1985, praticamente a mesma de 1984 (US$99,7 bilhões), em termos nominais, e um pouco menor em termos reais, já que a inflação nos EUA chegou a 3,6%. Em 1983, o saldo era de US$91,6 bilhões. As negociações envolvem um montante de US$75,7 bilhões-- US$60 bilhões devidos a bancos estrangeiros, US$7,7 bilhões captados por agências de bancos brasileiros no exterior e US$8 bilhões recebidos do Clube de Paris (instituições oficiais). Há também débitos comerciais líquidos de curto prazo no valor de US$7,5 bilhões. Fora da negociação há US$16,4 bilhões correspondentes a bônus, créditos de fornecedores, transações entre empresas, recursos de organismos internacionais, etc. (FSP).