MINISTRO ANUNCIA ACORDO PRELIMINAR COM CREDORES

O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, anunciou ontem um acordo preliminar com o Comitê Assessor dos Bancos Credores-- aos quais o país deve US$75,42 bilhões--, segundo o qual os bancos refinanciam US$5,8 bilhões de juros de 1987/1988 e primeiro semestre de 1989. Outros US$600 milhões entrariam no país para reposição das linhas de curto prazo, que financiam o comércio exterior e crédito interbancário. O total refinanciado, isto é, o empréstimo para quitar juros, não passa, na verdade, de US$2,8 bilhões, já que em julho próximo o Brasil paga o financiamento dos juros de 1987 de US$3 bilhões. Em contrapartida, o Brasil esta semana tira US$700 milhões de suas reservas para pagar os bancos. Segundo o ministro, os credores concordaram em reduzir a taxa de risco ("spread") à metade. Ela sai de 1,66% atuais para 0,8125%, o que significa, de acordo com Maílson da Nóbrega, "uma economia de quase US$1 bilhão". Ficou acertado ainda que a taxa de juros que passa a valer para a dívida brasileira não é a norte-americana "prime-rate", mas a londrina libor. O ministro da Fazenda informou também que os bancos exigiram, e o Brasil concordou em pagar, além dos juros e do "spread", uma comissão de incentivo que custará ao país US$19 milhões. O ministro disse que as negocições para um acordo definitivo continuarão em Nova Iorque (EUA), para onde seguiu ontem o presidente do Banco Central, Fernando Milliet, e devem ser concluídas até o final de março, quando o Brasil terá de saldar os juros daquele mês, de US$250 milhões (JB) (FSP).