SEPLAN PRIVILEGIOU CONSTITUINTES NA DISTRIBUIÇÃO DE VERBAS

Um documento preparado pela SEPLAN (Secretaria de Planejamento da Presidência da República), coletado pelo SNI (Serviço Nacional de Informações), dá o nome e o respectivo pedido de 142 parlamentares constituintes que serviram, no ano passado, como intermediários na liberação de verbas a fundo perdido de seus programas para prefeituras municipais e governos estaduais. Deste total, 79% (112) são políticos afinados com o Palácio do Planalto e signatários da emenda que garante cinco anos de mandato para o presidente José Sarney. Entre os 30 restantes há, porém, nomes como o do senador Jarbas Passarinho (PDS/PA), que não assinou a emenda, mas defende o mandato de cinco anos, passando pelo adversário do presidente, o senador Mário Covas (PMDB/SP), até o presidente do Congresso Constituinte, Ulysses Guimarães (PMDB/SP), sua esposa, Mora Guimarães, além da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). Segundo a lista, a CNBB recebeu, no dia 9 de junho de 1987, Cz$25 milhões para atendimento a crianças carentes. Mora Guimarães também obteve Cz$1 milhão para obras no Instituto Dom Orione, que presta assistência a pessoas carentes em Brasília (DF). O próprio SNI pediu e obteve Cz$30 milhões destinados a obras sociais da Irmã Dulce, em Salvador (BA) (FSP).