SERPRO DENUNCIA DION

O escândalo conhecido como "Cavalo de Tróia" foi praticado pela firma Sistemas e Aplicações em Processamento de Dados (SAP), que durante quatro anos (de 1982 a 1985), manteve o SERPRO (Serviço Federal de Processamento de Dados) sob sua dependência, com a ameaça de paralisar, todo o sistema de conta corrente e da caderneta de poupança da Caixa Econômica Federal (CEF), caso seu contrato não fosse renovado. Nesse período, por força do contrato assinado pelo ex-presidente do SERPRO, José Dion de Melo Teles, o órgão pagou à SAP Cz$24 milhões 318 mil 742. Este crime, denunciado à Polícia Federal, foi descoberto pela Comissão de Sindicância criada pelo atual presidente do SERPRO, Ricardo Saur, para promover uma devassa na administração do ex-presidente, iniciada em abril de 1986 e concluída na semana passada. A auditoria no SERPRO ficou a cargo da Price Waterhouse. Ela constatou ainda que, no período de outubro de 1979 a agosto de 1985, José Dion de Melo Teles favoreceu, de maneira irregular, a título de prestação de serviços, firmas recém-instituídas (quase todas por ex-empregados, amigos e sócios de ex-dirigentes) a receber serviços sem concorrência e vultosos adiantamentos, geralmente não previstos nos contratos concedidos sem quaisquer garantias (JB).