O ministro do Planejamento, Aníbal Teixeira, ao anunciar ontem sua demissão do cargo para disputar a eleição para a prefeitura de Belo Horizonte (MG), acusou o ex-secretário-geral da SEPLAN, Michal Gartenkraut, de "boicotar sistematicamente a ação social do governo, cortando e manipulando verbas orçamentárias aprovadas pelo Congresso Nacional". O ex-secretário-geral, demitido ontem pelo presidente José Sarney depois de ter colocado seu cargo à disposição do presidente, disse que entrará com queixa-crime contra o ex-ministro. Aníbal Teixeira também deu sua versão sobre as denúncias de favorecimento e corrupção que envolve seu nome. O primeiro caso envolve seu primo Sérgio Menin Teixeira de Souza. Segundo Aníbal, Sérgio pediu que o ex-ministro intercedesse na liberação de Cz$1,4 milhão para um projeto da prefeitura de Valença (RJ), mas esqueceu de dizer que tinha interesse financeiro na execução da obra. "Quando eu soube disso, reclamei com ele", afirmou o ex-ministro. Quanto ao projeto de informatização de seis prefeituras, Aníbal disse que aprovou parecer feito pelo então secretário-geral Michal Gartenkraut. Embora tenha alegado que a verba liberada foi de Cz$288 mil e não de Cz$4 milhões, como se noticiou, contou que, depois da liberação, descobriu que o projeto beneficiava o filho de seu chefe de gabinete, Lúcio Veríssimo, demitido por ordem do Palácio do Planalto. O terceiro caso envolve a participação do seu irmão Asdrúbal Teixeira. O ex-ministro negou que ele seja sócio de empresas que recebam recursos federais para desenvolver projetos de energia alternativa (JB) (FSP).