TRABALHADORES SUGEREM MUDANÇA NO PLANO CRUZADO

Os presidentes de oito confederações nacionais de trabalhadores, quatro delas filiadas à Coordenação Nacional das Classes Trabalhadoras (CONCLAT), manifestaram ontem ao presidente Sarney seu apoio ao programa de estabilização econômica e prometeram ajudar o governo na fiscalização dos preços. Porém, sugeriram algumas modificações no texto do decreto-lei que instituiu o plano. Entre as principais, destaca-se a de que os salários sejam reajustados automaticamente a cada vez que a inflação ultrapasse os 5%. O decreto-lei estabeleceu 20% e o PMDB quer reduzir esse percentual para 10%. O presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Crédito (CONTEC), Wilson Gomes de Moura, disse que, com a inflação mensal de zero a 1% prevista pelo governo, 20% "são uma carga muito pesada para os trabalhadores". Na área salarial, os sindicalistas pediram ainda que a inflação de fevereiro (14,36%) seja incluída no cálculo do salário médio semestral-- o que não ocorre na tabela dos fatores de conversão constante do Anexo III do decreto. Reivindicaram também a não redução do salário nominal de janeiro e fevereiro para as categorias cujas datas-base caem nesses meses, a correção do valor do salário-mínimo pela inflação do período de novembro de 85 a janeiro de 86, a eliminação da contribuição dos aposentados e pensionistas para a Previdência Social e a isenção de tributos sobre aposentadorias e pensões. Na questão do seguro-desemprego, os sindicalistas pediram a redução do prazo mínimo de contribuição para a Previdência (36 meses, pelo decreto) para o trabalhador ter direito ao benefício, aumento do valor do seguro mensal e a inclusão dos trabalhadores avulsos rurais. Eles pediram ainda o tabelamento do juros (FSP).