Em seu depoimento, ontem, no Senado Federal, o assessor especial do Ministério da Fazenda para a Dívida Externa, Fernão Bracher, disse que se o acordo provisório que o Brasil fechou com os bancos credores no último dia seis não se transformar em acordo definitivo, o país perderá US$500 milhões de suas reservas-- primeira parte do pagamento dos juros da dívida. Segundo ele, "se o Brasil conseguir o acordo definitivo nas bases em que está pleiteando, o acordo provisório terá sido um sucesso; caso contrário, estaremos diante de um grande fracasso, já que na verdade o país terá apenas suspendido a moratória". O presidente do Banco Central, Fernando Milliet, admitiu que o acordo provisório foi fechado para evitar a reclassificação dos créditos do Brasil. O assessor do Ministério da Fazenda disse que se o Brasil partisse para o confronto "teria muito mais dificuldade para obter créditos e acabaria ficando ilhado como a China e a União Soviética no início do século". O presidente do BC afirmou que o Brasil recorrerá ao FMI (Fundo Monetário Internacional), "não para financiamento de juros, mas para financiamento da economia do país". Fernão Bracher, por sua vez, declarou que ainda não há uma data definida para o Brasil voltar ao FMI. Os dois disseram que, sem o acordo definitivo, o Brasil poderá voltar à moratória em janeiro de 1988 (JB).