PROMOTOR ACUSA EX-DIREÇÃO DA CDRJ DE CORRUPCAO

O promotor de Justiça Charles van Homebeeck Jr., da Procuradoria-Geral de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, ofereceu, ontem, denúncia ao juiz da 20a. Vara Criminal contra o ex-presidente da CDRJ (Companhia Docas do Rio de Janeiro), Ário Theodoro-- que exerceu o cargo de dezembro de 1985 a março de 1986--, o atual prefeito de Itaguaí (RJ), Otoni Rocha, e o atual administrador da CDRJ, Fernando Antônio Correa de Araújo, de terem praticado estelionato através de operação fraudulenta de venda, à prefeitura de Itaguaí, de terrenos da CDRJ que foram desapropriados pelo governo federal para construção do Porto de Sepetiba. Segundo a denúncia, o prefeito Otoni Rocha pediu à CDRJ uma indenização de Cr$24 milhões para compensar as perdas das terras (a indenização necessária seria, segundo a prefeitura de Itaguaí, de Cr$62 milhões), e Ário Theodoro assinou um acordo para pagamento de Cr$24,8 milhões em 10 parcelas, o que representa hoje cerca de US$3 milhões. O promotor denuncia também que esses recursos seriam recebidos pela empresa Assessur, cuja sócia, Regina Maria, era irmã do chefe do Departamento Jurídico da CDRJ, Emmanuel Cruz, na gestão de Ário Theodoro (O Globo).