PLANO PARA EXPLODIR QUARTÉIS SERÁ APURADO

O chefe do Centro de Comunicação Social do Exército, general Carlos Olavo Guimarães, anunciou que o comando da Escola Superior de Aperfeiçoamento de Oficiais (ESAO) vai hoje iniciar uma investigação e, se for o caso, abrir um inquérito para apurar as denúncias de que capitães da escola pretendiam explodir bombas em várias unidades da Vila Militar, Academia Militar das Agulhas Negras, em Rezende (RJ), e em vários quartéis. Ontem, o Exército não tinha tomado nenhuma providência. Segundo as denúncias, publicadas pela revista Veja, o plano dos oficiais da ESAO foi chamado de "Beco sem Saída" pela mulher de um deles (só foi divulgado o seu primeiro nome-- Lígia). No último dia 21, o capitão Sadon Pereira Filho foi preso por ordem do comando da ESAO, após entregar a seus superiores um manucristo reivindicando melhores salários para a tropa e criticando a política salarial do governo. De acordo com a revista Veja, a repórter Cássia Maria foi à Vila Militar, no bairro de Deodoro, no Rio de Janeiro, e conversou com dois capitães que cursam a ESAO e com a mulher de um deles. Embora insatisfeitos com a prisão do colega, com seus vencimentos e com o comportamento da cúpula do Ministério do Exército, eles disseram à repórter em que consistia o plano e pediram segredo, que ela resolveu romper devido à gravidade do que ouviu. Um dos capitães, que se identificou como "Xerife", casado com Lígia, disse que a sua participação no grupo de oficiais da ESAO que lidera o movimento por aumentos está sendo investigada pelo Centro de Informações do Exército (CIE). A repórter contou que, durante seu encontro com "Xerife", chegou ao local da entrevista o capitão Jair Balsonaro, que em setembro assinou artigo na revista protestando contra os baixos salários. Logo depois chegou outro oficial, que a repórter não pôde identificar porque foi afastada do local por Lígia. Esta lhe revelou que o plano consistia em detonar algumas bombas nos banheiros da ESAO, caso o aumento dos militares fosse inferior a 60%, "sempre com a preocupação de evitar ferir alguém". Serão explosões pequenas, apenas para assustar o ministro Leônidas
11466 Pires Gonçalves (Exército). Só o suficiente para o presidente José
11466 Sarney entender que Leônidas não exerce nenhum controle sobre sua tropa (JB) (O Globo) (revista Veja no. 999).