BRASIL ACEITA FÓRMULA DOS EUA PARA SUSPENDER MORATÓRIA

Os negociadores da dívida externa brasileira, liderados por Fernão Bracher, voltaram ontem ao Tesouro dos EUA, em Washington, para comunicar que o governo do presidente José Sarney concorda com a fórmula sugerida pelos EUA para uma suspensão da moratória, desde que algumas condições sejam aceitas. Entre essas condições figuram garantias de que os bancos negociarão de "boa fé" o reescalonamento da dívida, manterão as linhas de crédito de curto prazo ao Brasil e aceitarão a conversão parcial da dívida em títulos. Segundo a fórmula norte-americana, o Brasil e os credores estrangeiros farão um depósito simultâneo no BIS (Banco de Compensações Internacionais), na Suíça. A parte depositada pelo Brasil continuará a ser contada como reserva do país até que o governo autorize seu desembolso para os bancos. Por sua vez, a parte dos bancos-- cerca de US$3,5 milhões-- ficará sob controle deles até que seja anunciado um acordo sobre o reescalonamento da dívida. A partir daí, o dinheiro será liberado para os próprios bancos. O ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira, afirmou, no entanto, que o Brasil não cogita a suspensão da moratória (JB).