A Associação Brasileira de Defesa da Democracia (ABDD), instrumento de aglutinação política de direita militar, foi criada em 1984 dentro do CIE (Centro de Informações do Exército), na época dirigido pelo general Íris Lustosa, atual comandante da 7a. Região Militar, com sede em Recife (PE). Está registrada desde janeiro de 1985 num cartório de Brasília com uma lista de fundadores em que militares da ativa-- maioria dos sócios-- aparecem com outras profissões e enderêços errados. Segundo as informações, muitos deles atuaram na repressao política durante o regime militar e alguns estiveram envolvidos na tentativa de desestabilizar a candidatura de Tancredo Neves em 1984, associando-o aos comunistas. No último dia 7, a ABDD promoveu no Clube da Aeronáutica, no Rio de Janeiro, conferência do professor da Escola Superior de Guerra (ESG) Jorge Boaventura à qual compareceram algumas das mais importantes personalidades da direita militar, da ativa e da reserva, além do ex-ministro da Justiça Armando Falcão. Foram feitas pesadas críticas ao governo do presidente José Sarney, que mandou o SNI (Serviço Nacional de Informações) investigar os passos do grupo e associou-o ao lançamento de um manifesto, na semana passada, pelo ex-presidente João Figueiredo. No dia 9 de janeiro de 1985, um grupo de 45 pessoas fundou formalmente a ABDD. No dia 15 do mesmo ano, data da eleição de Tancredo Neves, o presidente da entidade, coronel da reserva José Leopoldino e Silva, apresentava no Cartório do 1o. Ofício de Registro de Títulos e Documentos e Pessoas Jurídicas, em Brasília, o pedido de registro legal da entidade, que funcionava clandestinamente no CIE. Na lista de fundadores, fornecida pelo cartório, estão os nomes de 31 militares, 21 dos quais continuam na ativa de acordo com o Almanaque do Exército de 1987. Desses, 17 são coronéis, dos quais oito são oficiais da área de informações, todos ainda ligados à ABDD. A lista de fundadores da ABDD é encabeçada pelo ex-chefe do Departamento de Subversão do CIE, coronel da ativa Agnaldo Del Nero, segundo homem do Centro na época do general Íris Lustosa. O segundo nome é o do coronel da ativa, com possibilidade de atingir o generalato nas promoções de novembro, Audir Santos Maciel, que em fins de 1975 substituiu o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra no comando do DOI-CODI paulista. Foi quando morreram nas dependências DOI o jornalista Wladimir Herzog e o operário Manoel Fiel Filho. O décimo nome da lista é do coronel da ativa José Augusto Silveira de Andrade Netto, chefe do Departamento de Contra-Informações e Contrapropaganda do CIE durante a gestão Íris Lustosa (JB).