TRABALHADOR TEVE PERDA SALARIAL DE 48,2%

O DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócios-Econômicos) no documento "As regras do jogo na transição" faz uma análise crítica da política salarial dos dois anos e meio de governo do presidente José Sarney. Segundo o documento, o trabalhador sofreu, no período de março de 1986 a agosto de 1987, uma perda de 48,2% no salário médio real. Estima-se que pelo menos US$21,8 bilhões foram transferidos da renda do fator trabalho para a renda do fator capital. De acordo com o DIEESE, o poder de compra do atual piso nacional de salários corresponde a 32% do seu valor real no ano de 1940. O DIEESE mostra ainda que o resultado da política econômica do período de transição na área da geração de emprego é insatisfatório: no triênio 1985/1987, o país corre o risco de gerar apenas 1,9 milhão de postos de trabalho, ou seja, 40% da quantidade de empregos necessários aos 4,8 milhões de trabalhadores que bateram às portas do mercado de trabalho nos últimos três anos. O documento do DIEESE lembra que, antes do Plano Cruzado, os trabalhadores que ganhavam até três salários-mínimos tinham garantido o recebimento, na sua respectiva data-base, de apenas 60% da taxa de inflação oficial acumulada entre o período das datas-bases (JB).