O governador de Mato Grosso do Sul, Marcelo Miranda Soares, foi avalista principal de um empréstimo de Cz$245,2 milhões contraído no Banco Bamerindus pelas empresas Matriz Propaganda Ltda., que coordenou sua campanha política e hoje executa com exclusividade todos os serviços publicitários, gráficos, de som, de vídeo e "outdoor" do seu governo, e a Engecruz, empreiteira beneficiada com um "pacote" de obras nem sempre licitadas. Estas denúncias foram feitas pelo vice-presidente regional do PTB, Francisco de Lagos Viana Chagas. O dossiê de 191 páginas, cujas cópias já se encontram na Polícia Federal, no SNI e em alguns ministérios, chegará esta semana ao Palácio do Planalto. Contém volumosa documentação para acusar o envolvimento de Marcelo Miranda e seus principais assessores e o Bamerindus em crime de reciprocidade. O dossiê, com os documentos encardenados cronologicamente, relata atos ilícitos praticados antes mesmo da posse do governador, em 15 de março, até o mês de julho. Um dos empréstimos feito pela Engecruz, no valor de Cz$160 milhões, em 3 de julho, tendo como avalista Marcelo Miranda Soares, foi processado a uma taxa de 20,09%-- menor do que a inflação de maio, de 24%--, quando os juros praticados naquele dia eram de 31%. O Bamerindus, ao proceder a operação a juros baixos, beneficiava-se diretamente dos recursos do Tesouro estadual, depositados na conta "NE 0238-90041-50", da agência no. 0238. "Os recursos, oriundos principalmente do ICM, principal fonte de arrecadação do estado, não são aplicados totalmente no open/over para contrabalançar as operações desta natureza", relata o dossiê, apresentando os extratos da conta de maio a julho. Deixando de aplicar o saldo principal, nesse período, o estado deixou de ganhar Cz$8 milhões 760 mil 936. Enquanto isso, outra conta, denominada governo do Mato Grosso do Sul, no. 0238-29937-1, referente às operações de antecipação, não quitada em 31 de dezembro de 1986, vem sendo acrescida mensalmente dos juros e correções de mercado, elevando uma dívida, que em janeiro era de Cz$230 milhões, para próximo de Cz$1 bilhão. Dois dias após as eleições de 15 de novembro, quando os votos ainda estavam sendo computados, mas ninguém tinha dúvidas de sua vitória, o governador Marcelo Miranda já se beneficiava do cargo que assumiria quatro meses depois, assinando um aval no valor de Cz$15 milhões, contraído pela Matriz no Bamerindus. No dia 9 de fevereiro, já diplomado, Miranda avalizou nova operação de crédito, no mesmo banco e para a mesma empresa, agora de Cz$14,2 milhões. O Bamerindus justificou no verso do contrato, que se tratava de uma operação de "cunho político" (JB) (FSP).