PERITO NEGA TER EXAMINADO DOCUMENTO QUE ACUSA CIMI

O perito criminalista Antônio Carlos Villanova, em depoimento à CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Congresso que apura as denúncias do jornal O Estado de São Paulo de que o CIMI (Conselho Indigenista Missionário) receberia dinheiro das multinacionais do estanho para uma campanha contra a soberania brasileira sobre territórios na Amazônia, negou que tenha examinado documentos contendo estas informações. O relator da CPI, senador Ronan Tito (PMDB/MG), diante do depoimento do perito Villanova, decidiu redigir até o próximo dia 7 o seu relatório para submetê-lo à comissão. Ronan Tito está convencido de que as denúncias tiveram por base documentos forjados. Se aprovado seu relatório, o senador vai encaminhar o assunto para a Procuradoria Geral da República. O senador Severo Gomes (PMDB/SP), outro dos 18 membros da CPI, quer que a Polícia Federal investigue a autoria da fraude. A denúncia do jornal, publicada numa série de reportagens a partir de 9 de agosto, foi baseada, segundo as conclusões parciais da CPI, em dois documentos apócritos (sem assinatura), um terceiro de uma entidade cuja existência não foi confirmada e um quarto-- cópia "xerox" da "Richtlinien Brasilien Nr 4/Jahr 6" ("Diretrizes Brasil no. 4/ano 6")-- ao qual foi aposta uma assinatura do secretário-geral do CIMI, Antônio Brand, que nega tê-lo assinado, escrito ou visto. Quando remeteu, há uma semana, os quatro documentos à CPI, o diretor de redação de O Estado de São Paulo, Oliveiros da Silva Ferreira, anexou "um laudo técnico opinando sobre a assinatura de Antônio Brand no documento Diretrizes Brasil no. 4/ano 6" (JB).