GOVERNO INSISTIRÁ EM RENEGOCIAÇÃO DIFERENCIADA

O governo brasileiro vai insistir na proposta de renegociar a dívida externa com os bancos credores de forma diferenciada: uma parte pelos moldes convencionais, com prazos maiores e juros mais baixos, e a outra, através da transformação do débito em títulos brasileiros, que seriam adquiridos pelos credores a preço de mercado, logo, com seu valor reduzido, formalizando assim o deságio. A renegociação também será particularizada: as propostas brasileiras são diversas e variam de acordo com o porte dos bancos e com o montante devido pelo Brasil a cada um. Da proposta brasileira, cujas linhas gerais foram reveladas ontem pelo ministro da Fazenda, Luiz Carlos Bresser Pereira, aos integrantes da Comissão Especial do Senado para Assuntos da Dívida Externa, consta ainda o desejo de se obter no refinanciamento dos juros "spread" zero (ou seja, inexistência de taxas de risco), embora a real intenção não seja essa. O que o governo espera, de fato, segundo informou um assessor de Bresser após a reunião, é obter um "spread" o mais baixo possível e inferior aos conseguidos recentemente por outros países, como México e Argentina. O Brasil também vai recusar formalmente a exigência de se estabalecer um acordo prévio com o Fundo Monetário Internacional (FMI) como condição para renegociar, além de dizer que não pretende em hipótese alguma pagar juros que impliquem em prejuízo das reservas cambiais. Por fim, não vai aceitar a contraproposta dos credores de que os juros sejam refinanciados por apenas dois anos (JB).