EXÉRCITO REJEITA ANTEPROJETO DE CONSTITUIÇÃO

O ministro do Exército, general Leônidas Pires Gonçalves, afirmou ontem, durante reunião ministerial realizada em Brasília, que "este projeto de Constituição é inaceitável". Segundo o líder do PFL na Câmara dos Deputados, José Lourenço, o ministro do Exército disse que o "anteprojeto não corresponde ao acordo feito com as Forças Armadas e os líderes do Congresso Constituinte e não atende aos interesses da maioria". O ministro da Marinha, almirante Henrique Sabóia, o ministro da Aeronáutica, brigadeiro Moreira Lima, e o chefe do SNI (Serviço Nacional de Informação), general Ivan de Souza Mendes, não se pronunciaram. Leônidas Pires Gonçalves ficou encarregado de manifestar a insatisfação dos militares com o artigo da anistia aos que foram afastados dos quartéis após o golpe de 1964 e com o artigo que retira das Forças Armadas o papel de garantia da lei e da ordem. Pelos cálculos do ministro do Exército, a anistia ampla para os ex-militares implicaria acréscimo de Cz$50 bilhões nas despesas das Forças Armadas (Cz$10 bilhões na Marinha; Cz$15 bilhões na Aeronáutica; e entre Cz$25 bilhões e Cz$30 bilhões no Exército). Ele disse que o Artigo 22 do anteprojeto de Constituição da Comissão de Sistematização do Congresso Constituinte beneficiaria cerca de 20 mil ex-combatentes com elevação de salário de Cz$14 mil para Cz$20 mil mensais (JB).