O presidente José Sarney anunciou, hoje, as seguintes medidas objetivando controlar a inflação no país: MOEDA-- mudará de cruzeiro para cruzado, após perder três zeros. Em função dessa mudança, o Banco Central passará a publicar diariamente uma tabela para a conversão em cruzados dos débitos a vencer no futuro, que eram calculados em cruzeiros, a exemplo da chamada "tablita" criada pelo Plano Austral argentino. SALÁRIOS-- serão convertidos em cruzados pelo valor médio real dos últimos seis meses, o que significa que os assalariados que receberam reajuste no mês passado, por exemplo, passariam a receber um valor nominal menor do que o atual. Para restabelecer o valor real dos salários, porém, o governo irá conceder um bônus, cujo índice ainda será decidido e que será o mesmo para todas as categorias de trabalhadores. Os aumentos salariais passarão a ocorrer apenas uma vez por ano, por ocasião dos dissídios de cada categoria, devendo ser permitida liberdade total para negociação dos reajustes entre trabalhadores e empresas, inclusive o restabelecimento de reajustes semestrais. Será criada a "escala móvel" de proteção dos salários: se no período de seis meses a inflação ultrapassar o índice de 20%, os salários serão automaticamente reajustados em 20%. CORRE>A~O MONETÁRIA-- acaba o sistema de correção monetária dos contratos financeiros, com exceção apenas das cadernetas de poupança. Os contratos só poderão ter reajustes anuais. CADERNETA DE POUPAN>A-- a correção das cadernetas passará de mensal para trimestral. CÂMBIO-- acaba o sistema de devalorizações cambiais diárias. O Banco Central irá fixar uma nova taxa do dólar, que valerá indefinidamente. Ou melhor, até quando o governo achar conveniente fazer novo reajuste no câmbio. Não haverá maxidesvalorização do cruzeiro. PRE>OS-- o governo publicará uma tabela convertendo em cruzados os preços dos diversos produtos de bens de consumo, assim como as taxas e tarifas cobradas pelo serviço público. Os preços serão congelados por tempo ainda não fixado. ALUGUÉIS e PRESTA>O~ES do BNH (Banco Nacional da Habitação)-- terão como parâmetro o último aumento. A partir daí, ficarão congelados por um ano. Todos os contratos passam a ter vigência de um ano para efeito de reajuste. Também será criado o seguro-desemprego (JB) (O Globo) (FSP) (O ESP).