BRASIL TEM PROBLEMAS COM O BANCO MUNDIAL

Representantes do governo brasileiro irão a Washington, em março, para continuar as discussões sobre a pauta de empréstimo de US$1,5 bilhão do Banco Mundial (BIRD) ao país. Os problemas com os empréstimos para o Brasil vieram à tona no início de fevereiro, quando o "staff" técnico do BIRD retirou da pauta das reuniões da diretoria da instituição um empréstimo de US$171 milhões para o financiamento de um programa de desenvolvimento rural no interior do Bahia, elaborado pela SUDENE (superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), que normalmente deveria ter sido aprovado naquele mês. A revisão do empréstimo foi determinada pelo presidente José Sarney de subsidiar o crédito aos agricultores nordestinos, que o BIRD considerou um retrocesso em relação à política que já havia sido anteriormente negociada com o governo brasileiro. Segundo informações, cerca de US$800 milhões, do total de US$1,5 bilhão de empréstimos que o BIRD pretende conceder ao Brasil neste ano fiscal (julho de 1985 a junho de 1986) ficaram ameaçados pelas dificuldades surgidas. A maioria desses empréstimos destina-se ao financiamento de programas de ajustamento de setores agrícolas e energéticos, de até US$450 milhões, que dependem da implementação de determinadas políticas negociadas com o banco, mas são também os créditos de desembolso mais rápido e dos quais o país depende para manter uma transferência líquida positiva de capital com o BIRD. A decisão de rever o empréstimo de US$171 milhões para o nordeste coincidiu com o anúncio do "estouro" da inflação em janeiro, que comprometeu as projeções do programa econômico do governo aprovado pelo Congresso Nacional em dezembro passado e inviabilizou a execução de algumas medidas acertadas com o BIRD, como por exemplo, o aumento das tarifas do setor elétrico em janeiro (GM).